segunda-feira, 3 de março de 2014

Atelier Autêntico: não há velharia que não possa ser um luxo - Dinheiro Vivo

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Entre as cómodas recém-pintadas, no número 2 do Beco da Rosa, em Lisboa, há caixas de munições transformadas em bases para revistas, paletes de mercadorias que se transformaram em candeeiros e até sifões de garrafas de soda alterados para servir de peças de decoração superoriginais.
Sérgio e Ruth Faria Costa são casados e sócios na empresa que criaram. Escolheram a crise como contexto e o país dele como sede do negócio - Ruth é inglesa. No final do ano passado, abriram o seu Atelier Autêntico, um projeto de procura, restauro e venda de todo o tipo de peças de decoração.
“A crise está em todo o lado. Podemos estar a andar em contracorrente, mas quem não está quando se lança um negócio? Decidimos arriscar. Se não experimentássemos nunca íamos saber se podia ter corrido bem”, conta Sérgio Faria Costa ao Dinheiro Vivo.
Sérgio, 29 anos, nasceu em Portugal mas aos 9 mudou-se para Inglaterra: os pais tinham negócios em Londres e em Nottingham e levaram o filho com eles. Uns anos mais tarde, voltou para Portugal e foi já de regresso que estudou design industrial na Escola António Arroio e mais tarde fotografia no Ar.Co. Aos 19 anos, Sérgio voltaria para Londres, onde havia de começar a trabalhar em hotéis, na área da gestão, e onde viria a dar um novo rumo à sua vida.
Foi em Inglaterra que Sérgio Faria Costa conheceu Ruth, de 38 anos, que viria a ser sua mulher e a mudar-se com ele para Portugal há cerca de um ano. Quando voltaram, juntos, a intenção era montarem um negócio de Bed&Breakfast numa casa que compraram e recuperaram para o efeito em Mafra. Mas tiveram tanta dificuldade em encontrar os objetos que tinham idealizado para mobilar e decorar o seu negócio que, depois de quase um ano de buscas sem sucesso, mudaram definitivamente os planos originais.
“Em Londres conseguia comprar tudo online e quando cheguei aqui percebi que não havia grande oferta em termos de originalidade ou de negócios que se revelassem vantajosos”, conta Sério Faria Costa.
Foi nesse momento que surgiu o clique. Adiado o Bed&Breakfast, Sérgio e Ruth começaram a recolher e a recuperar móveis antigos para mobilarem a casa. E se rapidamente da necessidade nasceu o engenho, ainda demorou menos até o engenho dar origem a uma nova ideia de negócio.
“Identificámos duas oportunidades de negócio: um tipo de produto diferenciador e um mercado por explorar. Com o feedback de familiares e amigos, começámos a procurar móveis antigos e a recuperá-los para vender. São todos peças únicas, antigas, transformadas à mão por nós os dois. Utilizamos tintas ecológicas, estofamos recorrendo aos métodos tradicionais, seguimos todos os preceitos”, recorda Sérgio.
A loja online do Atelier Autêntico começou a ser esboçada em junho do ano passado e logo em outubro o site foi lançado. Também este trabalho foi feito pelos próprios donos do negócio, assim como a procura de uma oficina que acabou por se tornar a primeira loja da marca, em São Bento, Lisboa. “No início, começámos por pensar que chegaria e seria mais simples alugar um armazém, mas entretanto fomo-nos apercebendo de que precisávamos da componente de montra para podermos mostrar aquilo que fazemos e que vendemos ao público. E com um simples armazém nunca se cumpriria essa função.”
A decisão de abrir uma loja aumentou o alcance mas também o valor do investimento: os 5 mil euros aplicados no negócio passaram a 35 mil, totalmente garantidos por capitais próprios - com a carrinha de entregas incluída. Acontece que Sérgio e Ruth Faria Costa fazem questão de entregar pessoalmente tudo aquilo que vendem aos clientes.
De resto, parece que a aposta foi a acertada. A montra da loja é de facto um chamariz, e não apenas para clientes privados: também produtoras de cinema e de moda, por exemplo, têm ficado rendidas ao espaço, uma novidade que realmente surpreendeu a dupla artística e criativa do Atelier Autêntico. A sua empresa já foi mesmo contactada para a decoração de um evento de uma ilustradora na Alemanha, além de contar, entre os seus clientes, com a nova hamburgueria do Chiado, aTo.b - To Burger or Not to Burger e pretender, a curto prazo, estabelecer parcerias com designers para coleções exclusivas.
E planos para os próximos meses? “Queremos crescer mas manter um negócio pequenino. Sonhamos aumentar a equipa, fechar parcerias com designers. Queremos ter gente jovem na oficina a trabalhar connosco. Mas sobretudo desejamos continuar a divertir-nos com o que fazemos: foi essa a razão principal pela qual arriscámos”, sublinha Sérgio.

Apostar na venda online para todo o mundo e em workshops temáticos relacionados com as tintas ecológicas que usam serão os próximos passos. Sem nunca perder a autenticidade.

Retrato
Sérgio e Ruth Faria Costa são casados e criaram um negócio juntos. Abriram o seu Atelier Autêntico em outubro de 2013, com loja física em São Bento, Lisboa, e vendas online, com um investimento de 35 mil euros. A ideia surgiu-lhes quando tentaram abrir um Bed&Breakfast e não encontraram móveis adequados àquilo que desejavam. Todos os artigos da loja são pensados e feitos pelo casal.



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